Toda a verdade, porque só merecemos a verdade!!
23/08/2018

Carlos_Ramalho-Presidente_do_SINDEPOR

Toda a verdade, porque só merecemos a verdade!!
Colegas, companheiros de luta, comprometo—me a contar—vos toda a verdade possível,
quando digo "possível", não se trata de ocultar nada, mas sim omitir os factos em que teria que denunciar situações menos positivas que têm a ver com "birras" e comportamentos a roçar a infantilidade que de facto em nada beneficiam a imagem da nossa profissão, nem beneficiam o essencial da informação. Talvez porque respeitamos aqueles que não nos têm respeitado. Mas somos assim, é esse o nosso compromisso, e cada enfermeiro será livre de tirar as suas próprias ilações.

As acções (boas ou más) ficam sempre com quem as comete, e nós, o SINDEPOR, apenas devemos garantir que não nos responsabilizam por factos e situações pelos quais não somos responsáveis.

Vamos a factos:
- Ontem dia 22 de Agosto concretizou-se na sede Nacional da UGT a tão anunciada reunião entre todos os Sindicatos de Enfermagem, com o objectivo de analisar a situação actual, que passava mais uma vez pela ausência de propostas (ou contra-propostas se preferirem), como tinha sido compromisso do Governo e que mais uma vez falhou. Como sabem os sindicatos não podem ser responsabilizados pelos incumprimentos do governo, o que podem e devem é reagir a esses incumprimentos.

- Quanto digo que a reunião teve a participação de todos os sindicatos, baseio-me no compromisso que tinha sido assumido e assinado por todos, por essa razão quando falamos de compromissos estamos a contar que todos tenham a dignidade e o respeito suficiente para os cumprir. Mas, a verdade é que o SE e o SIPE não estiveram presentes, apesar de terem estado em Lisboa nesse dia.

- Estiveram presentes na reunião o SINDEPOR, desta vez na qualidade de anfitrião, O SEP, que também se fez acompanhar como habitualmente pelo SERAM, e a ASPE.

- Como não havia por parte de nenhuma estrutura qualquer dúvida sobre a necessidade de decretar formas de luta adequadas às circunstâncias o que era necessário seria encontrar formas de luta eficazes e que gradualmente se fossem intensificando, uma vez que pretendemos transmitir ao governo uma mensagem inequívoca: Os enfermeiros estão determinados e dispostos a lutar com todas as armas legalmente disponíveis. De forma empenhada, exigiremos uma carreira que nos dignifique nas suas várias vertentes (social, financeira e laboral).

- Sabemos que os enfermeiros há muito que anseiam por formas de luta "criativas", que tenham o máximo impacto ao nível do funcionamento do SNS e o mínimo de consequências para as suas vidas pessoais e financeiras, mas, também não poderemos ser ingénuos e todos sabemos que nestas lutas todos teremos que estar disponíveis para perder algo a curto prazo para podermos vir a ser compensados a médio/longo prazo. Para que se conste, analisaram-se várias possibilidades desde a greve a alguns registos até às faltas injustificadas, que como se sabe mesmo nos CIT são possíveis até um certo limite. Todos pedem medidas drásticas e temos que ter consciência que medidas drásticas terão reacções ao mesmo nível e será necessário que os enfermeiros, que tanto apelam a estas medidas, depois estejam preparados para enfrentar as consequências. Se os sindicatos têm advogados, o governo e as instituições também os têm, e, em muito maior número. Quando as coisas partem para a área jurídica e judicial ficam nas mãos de outros e excedem as nossas competências de enfermeiros. Nenhum sindicato responsável deve sujeitar os enfermeiros sócios e não sócios a problemas que lhes possam comprometer o futuro. Opinar… todos podemos, mas aos Sindicatos compete serem assertivos e avaliarem as consequências e não só os resultados pretendidos.

- Assim, o que foi decidido conjuntamente entre os sindicatos presentes, foi que a GREVE GERAL nos dias 20 e 21 de Setembro, será apenas o início de um processo de luta que se vai prolongar de forma crescente. Isso significa que obviamente estão previstas depois mais duas greves de 3 dias, uma para a actividade hospitalar (para os serviços que funcionam 24H/dia) e outra para os cuidados de saúde primários. Também está prevista uma grande manifestação interligada, que mais uma vez se pretende que seja organizada por todos os sindicatos e com o apoio das restantes organizações que se poderão e deverão envolver. Segue-se para finalizar a tal greve criativa que neste momento ainda não posso anunciar, porque isso poderia favorecer aqueles que estando contra o nosso sucesso necessitamos de surpreender. Tudo isto nos meses de Setembro e Outubro, antes do Orçamento de estado ser aprovado na generalidade.

- Na reunião da tarde com a Ordem dos Enfermeiros o SE e SIPE estiveram presentes, (isto depois de meia hora antes me terem garantido pessoalmente que não iriam. Incrível ou talvez não, mas seria estranho se nos quiséssemos habituar a isso).
Ainda bem que foram, a Sra. Digníssima Bastonária, Enfa Ana Rita Cavaco, mais uma vez com o seu sentido de justiça e também de regulação de compromissos, sempre de forma bastante assertiva, fez perguntas direitas e concretas a todos os sindicatos no sentido de os obrigar a esclarecer e a comprometerem—se com as necessárias acções, que a bem de todos, deverão ser consertadas e convergentes. Para o SINDEPOR não ficou claramente assumido o apoio que o SE e o SIPE irão prestar a esta greve (ou pelo menos não tentar destabilizar, aquilo que ficou assumido entre todos os sindicatos, e lembro que a sua própria participação e colaboração neste processo teria sido importante e necessária, e só não aconteceu por vontade própria). Não queremos sequer pensar na possibilidade de estes dois sindicatos voltarem a decretar uma greve antes da anunciada, porque isso representaria uma declaração de guerra aos enfermeiros e à enfermagem e teria necessariamente da nossa parte uma reacção justificada e sem precedentes na história do sindicalismo. NÃO VOLTAREMOS A TOLERAR MAIS ATITUDES QUE PREJUDIQUEM A PROFISSÃO. Porque não nos assusta o “barulho dos arrogantes prepotentes e hipócritas, mas sim a passividade dos que querem ver a nossa profissão evoluir”.
Só para concluir a informação, quero que todos saibam que ontem o SE e o SIPE não estiveram, como já disse, na reunião de manhã entre os sindicatos, mas como nos chegou a informação que á tarde estariam na ACSS em mais uma ronda negocial (sem que tenham dado conhecimento ao SINDEPOR e ASPE), estes dois sindicatos quando tiveram conhecimento tomaram a iniciativa de estar presentes. A FENSE no que respeita á parte negocial com o Governo actualmente também é composta oficialmente pelo SINDEPOR e pela ASPE, contudo o Sr. Enfermeiro Azevedo, presidente do SE, continua a comportar-se da forma a que já nos habituou, fazendo tábua rasa de acordos, compromissos, dever de lealdade e até bom senso, numa altura em que tudo isso seria TÃO IMPORTANTE.
Não obstante, continuaremos a contar com ele, mas exigimos da sua parte respeito por todos os intervenientes, sem umbiguismos e egoísmos vãos.

Esta é mais uma vez toda a verdade e mais uma vez vos ponho ao corrente para que não se deixem embarcar em desinformações mal-intencionadas que têm envenenado a boa-fé dos enfermeiros e assim impedido a possibilidade de nos concentrarmos no que é essencial.
No SINDEPOR agimos com total transparência e sem receios de fazer e dizer o que está certo, esta informação que transmito a todos vocês, sócios e não sócios, será extensível (dando conhecimento) às outras organizações sindicais e à Ordem dos Enfermeiros.

Termino com um apelo a todos os enfermeiros:
Colegas vai finalmente chegar o momento que todos andamos a anunciar e muitos exigiam. Será uma luta com necessário empenho e sem precedentes. Se estivermos unidos nada teremos a recear.
Se querem vencer não se escondam atrás das críticas e acusações mútuas como temos feito até aqui. Mais que Sindicatos, associações ou movimentos, somos enfermeiros que queremos dizer BASTA. Não se limitem a criticar os sindicatos, esta luta vai necessitar da iniciativa de todos e de cada um. Não chega andarmos todos a dizer que juntos somos mais fortes e depois ficarmos apenas e só á espera do empenho e da coragem dos outros. Quem pode ser mais corajoso que os enfermeiros que com todas as adversidades lutam diariamente pela continuidade do SNS? Um SNS dos mais justos e solidários do mundo que “ainda” garante os princípios da universalidade e da equidade?

SE REALMENTE QUEREM ALGUMA COISA, VAI CHEGAR BREVEMENTE O MOMENTO DE O DEMONSTRAREM, COM ATITUDES E NÃO SÓ COM PALAVRAS.

Atentamente

Carlos Ramalho — Presidente do SINDEPOR