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SINDICATO DEMOCRÁTICO DOS ENFERMEIROS DE PORTUGAL

Nota aos Enfermeiros

Sobre a “Greve Cirúrgica”

Gostaríamos de recordar que a greve é um direito legítimo, previsto pela Constituição Portuguesa.

Uma greve não é por si mesma um fim, mas antes um meio para atingir esse fim.

Este direito deve ser aplicado sempre como último recurso e de forma responsável, isto é, quando estiverem esgotados todos os mecanismos e possibilidades de diálogo, que de forma séria e justa devem ser tentados pelas partes.

Nunca uma greve deve ser decretada com o principal objetivo de criar prejuízo à população, mesmo quando isso se torna uma consequência inevitável. Mas não podemos ser ingénuos, são e serão sempre os mais prejudicados, sobretudo os mais vulneráveis e, quando assim é, será necessário encontrar responsáveis sem falsos pragmatismos.

Senão vejamos, o SINDEPOR esteve sempre disponível para promover o diálogo, para negociar com a tutela, mas os nossos apelos foram ignorados. Desde que nos constituímos há mais de 1 ano, o nosso compromisso foi primeiro unir os enfermeiros em lutas comuns. Assim fizemos, primeiro tentando alianças para tornar a luta dos enfermeiros mais forte, depois escolhendo o caminho que nos poderia levar a resultados efetivos. No entanto algumas alianças revelaram-se inconsequentes e pouco produtivas. Mas procurámos sempre manter o foco com vista a atingir os resultados a que nos propusemos.

Entre reuniões com a ACSS, pouco ou nada produtivas, e pedidos de mesa negocial sem resposta, resolvemos uma vez mais participar nos processos de luta que entendíamos que teriam que ser de todos e participámos nas greves de setembro e outubro para dar o sinal do descontentamento dos enfermeiros.

Sempre assumimos que este processo de luta seria em crescendo, e que se poderia intensificar, caso continuassem a ignorar a indignação e verdadeiros anseios dos enfermeiros. E assim fizemos.

Quando se começou a falar na possibilidade de promover uma luta mais efetiva, que de uma vez por todas pudesse dar visibilidade ao descontentamento dos enfermeiros, mas sobretudo quando essa hipótese era apenas uma “miragem” e um corajoso grupo de enfermeiros – “greve cirúrgica” – ainda dava os primeiros passos, o SINDEPOR foi o primeiro a assumir essa luta e a garantir o seu apoio.

Conscientes dos riscos, não hesitámos em avançar quando outros nem pensavam arriscar, mais preocupados com outras coisas. Mantivemo-nos fiéis aos nossos princípios, porque acima de tudo acreditamos que mudar é preciso!…

Neste momento a greve está convocada, as pressões e mecanismos de intimidação estão bem patentes, mas não vamos desarmar.

No passado dia 5 de novembro tivemos a confirmação pessoal da Sr.ª Ministra da Saúde que a nossa mesa negocial, solicitada em conjunto com a ASPE, está garantida. Temos a promessa de uma primeira reunião negocial no dia 15, mas como não queremos perder mais tempo, já entregámos a proposta conjunta de diploma legal para a Carreira Especial de Enfermagem. Também anunciámos (mais uma vez) o nosso descontentamento pelo facto do processo de descongelamento das progressões não estar a ser devidamente aplicado, na forma e conteúdo, assim como o pagamento efetivo do suplemento remuneratório a todos os Enfermeiros Especialistas em funções.

Estes são os pressupostos mínimos para se poder começar a negociar a nossa proposta de carreira da qual não pretendemos abdicar nos seus fundamentos.

Este é o nosso compromisso, e não vamos desconvocar a greve sem que tenhamos as garantias que estas reivindicações serão assumidas.

É desta forma que trabalhamos no SINDEPOR, por isso contem connosco e desde já agradecemos a confiança que nos tem sido expressa.

Vamos continuar este caminho, com o vosso apoio e a nossa determinação.

 

O Presidente do SINDEPOR

Carlos Ramalho

>> Proposta conjunta de alteração da CARREIRA ESPECIAL DE ENFERMAGEM

>> Proposta de TABELA REMUNERATÓRIA


Toda a verdade, porque só merecemos a verdade!!
23/08/2018 Carlos_Ramalho-Presidente_do_SINDEPOR Toda a verdade, porque só merecemos a verdade!!
Colegas, companheiros de luta, comprometo—me a contar—vos toda a verdade possível,

Leia na íntegra todo o comunicado do nosso Presidente Carlos Ramalho.

SE REALMENTE QUEREM ALGUMA COISA, VAI CHEGAR BREVEMENTE O MOMENTO DE O DEMONSTRAREM, COM ATITUDES E NÃO SÓ COM PALAVRAS.

Atentamente

Carlos Ramalho — Presidente do SINDEPOR


Carlos_Ramalho_200x300 Carlos Ramalho
Presidente do SINDEPOR e da Comissão Instaladora.
(céd. Profissional nº 24408)

Mensagem do Presidente

Caros colegas

Desde sempre a Humanidade compreendeu a importância do trabalho como fator de progresso e desenvolvimento das sociedades. Com o tempo o trabalho foi-se especializando e adquirindo direitos para os trabalhadores. Tornou-se ele próprio um direito e os trabalhadores legitimamente ambicionam melhores condições de trabalho e retribuição.

Aos trabalhadores é exigido maior empenho e qualificações, e em troca eles exigem as condições que lhes permitam ter uma vida digna, compatível com o que lhe é exigido.

As vantagens da união de esforços são evidentes. Trata-se de um desígnio que ultrapassa a própria condição humana. É algo instintivo e frequentemente observável na natureza dos seres vivos.

Assim chegámos ao sindicalismo. Por necessidade os trabalhadores uniram-se e organizaram-se para conjuntamente se tornarem mais fortes e poderem influenciar o seu próprio destino.

Não devemos desvalorizar o papel do sindicalismo, foi uma conquista da democracia, esse direito está na Constituição Portuguesa. O sindicalismo é um instrumento democrático e legítimo na defesa do valor do trabalho e de quem o pratica.

Se estamos descontentes, não é ao sindicalismo que deveremos pedir responsabilidades mas sim aos sindicatos e aos sindicalistas que o praticam. Se não gostamos dos resultados atingidos pelos atuais sindicatos, pois que se mudem os sindicatos, mas é essencial que os trabalhadores lutem pelos seus direitos e aspirações.

Agora em relação aos enfermeiros, tomam-nos por fracos e tratam-nos dessa forma e a verdade é que também temos contribuído para isso. Sejamos honestos, basta olhar para dentro e reconhecer que não temos conseguido estar unidos nem nas questões mais básicas. Quando nos unimos, conseguimos fazer a diferença, mas como sempre depois não conseguimos manter essa coesão.

O SINDEPOR é um sindicato de enfermeiros recém-formado e que foi criado com esse espírito. Manter o sindicalismo vivo e ativo em proveito dos enfermeiros.

Admitimos que não temos experiência sindical, mas essa condição não tem sido preponderante. Basta olhar para os resultados até aqui obtidos.

Consideramos que a Greve, é uma arma poderosa, indispensável nas situações em que se esgota a capacidade de diálogo e negociação. Mas quando mal utilizada essa arma vira-se contra nós tornando-nos mais frágeis e vulneráveis. Uma greve é para todos os efeitos um esforço acrescido que se pede aos enfermeiros. Só resulta se eles aderirem em força, e para que eles adiram é necessário que percebam que vai valer a pena esse esforço. Temos que repensar as formas de luta, temos que inovar. Temos que procurar formas de manifestar o nosso descontentamento, minimizando os prejuízos para os utentes, e opinião pública que queremos ter do nosso lado.

O nosso sindicato está constituído. Estamos em fase de construção do caderno reivindicativo para 2018. Acreditamos que é possível estabelecer consensos, mesmo numa profissão onde foram criadas tantas diferenciações e desigualdades. Que isso seja um motivo para nos unirmos e não o contrário. Queremos estar ao lado da Ordem e das associações e movimentos existentes numa luta comum pela dignificação da profissão.

Não nos constituímos para combater as outras forças sindicais existentes. Quando a Luta pela valorização profissional o impuser, saberemos estar do lado certo, sem agenda política nem interesses ocultos. Saberemos adotar uma postura responsável.

Mas pretendemos ser uma alternativa, e neste momento, tudo o que pedimos é que os enfermeiros se sindicalizem no SINDEPOR. Sabemos que todos estão desmotivados. Sabemos que estão desiludidos com os sindicatos existentes. Mas nós estamos a começar agora e por isso reclamamos o direito ao benefício da dúvida.

Não vou aqui falar das nossas propostas, deixando isso para consulta no nosso site. Mas temos estado atentos às propostas e comentários dos enfermeiros nas redes sociais. Podemos acrescentar que lemos atentamente as propostas da Ordem dos Enfermeiros e encontrámos muitos pontos de convergência.

É preciso que as coisas mudem, O SINDEPOR pretende ser o protagonista desta mudança de paradigma. Com humildade, mas determinação é preciso agir.

Para finalizar, quero aqui deixar um desafio a todos os Enfermeiros. Juntem-se a nós porque

“Mudar, é preciso”.

O Presidente da Direção do SINDEPOR

Carlos Ramalho