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Carlos Ramalho
Presidente do SINDEPOR e da Comissão Instaladora.
(céd. Profissional nº 24408)

Mensagem do Presidente

Caros colegas

Desde sempre a Humanidade compreendeu a importância do trabalho como fator de progresso e desenvolvimento das sociedades. Com o tempo o trabalho foi-se especializando e adquirindo direitos para os trabalhadores. Tornou-se ele próprio um direito e os trabalhadores legitimamente ambicionam melhores condições de trabalho e retribuição.

Aos trabalhadores é exigido maior empenho e qualificações, e em troca eles exigem as condições que lhes permitam ter uma vida digna, compatível com o que lhe é exigido.

As vantagens da união de esforços são evidentes. Trata-se de um desígnio que ultrapassa a própria condição humana. É algo instintivo e frequentemente observável na natureza dos seres vivos.

Assim chegámos ao sindicalismo. Por necessidade os trabalhadores uniram-se e organizaram-se para conjuntamente se tornarem mais fortes e poderem influenciar o seu próprio destino.

Não devemos desvalorizar o papel do sindicalismo, foi uma conquista da democracia, esse direito está na Constituição Portuguesa. O sindicalismo é um instrumento democrático e legítimo na defesa do valor do trabalho e de quem o pratica.

Se estamos descontentes, não é ao sindicalismo que deveremos pedir responsabilidades mas sim aos sindicatos e aos sindicalistas que o praticam. Se não gostamos dos resultados atingidos pelos atuais sindicatos, pois que se mudem os sindicatos, mas é essencial que os trabalhadores lutem pelos seus direitos e aspirações.

Agora em relação aos enfermeiros, tomam-nos por fracos e tratam-nos dessa forma e a verdade é que também temos contribuído para isso. Sejamos honestos, basta olhar para dentro e reconhecer que não temos conseguido estar unidos nem nas questões mais básicas. Quando nos unimos, conseguimos fazer a diferença, mas como sempre depois não conseguimos manter essa coesão.

O SINDEPOR é um sindicato de enfermeiros recém-formado e que foi criado com esse espírito. Manter o sindicalismo vivo e ativo em proveito dos enfermeiros.

Admitimos que não temos experiência sindical, mas essa condição não tem sido preponderante. Basta olhar para os resultados até aqui obtidos.

Consideramos que a Greve, é uma arma poderosa, indispensável nas situações em que se esgota a capacidade de diálogo e negociação. Mas quando mal utilizada essa arma vira-se contra nós tornando-nos mais frágeis e vulneráveis. Uma greve é para todos os efeitos um esforço acrescido que se pede aos enfermeiros. Só resulta se eles aderirem em força, e para que eles adiram é necessário que percebam que vai valer a pena esse esforço. Temos que repensar as formas de luta, temos que inovar. Temos que procurar formas de manifestar o nosso descontentamento, minimizando os prejuízos para os utentes, e opinião pública que queremos ter do nosso lado.

O nosso sindicato está constituído. Estamos em fase de construção do caderno reivindicativo para 2018. Acreditamos que é possível estabelecer consensos, mesmo numa profissão onde foram criadas tantas diferenciações e desigualdades. Que isso seja um motivo para nos unirmos e não o contrário. Queremos estar ao lado da Ordem e das associações e movimentos existentes numa luta comum pela dignificação da profissão.

Não nos constituímos para combater as outras forças sindicais existentes. Quando a Luta pela valorização profissional o impuser, saberemos estar do lado certo, sem agenda política nem interesses ocultos. Saberemos adotar uma postura responsável.

Mas pretendemos ser uma alternativa, e neste momento, tudo o que pedimos é que os enfermeiros se sindicalizem no SINDEPOR. Sabemos que todos estão desmotivados. Sabemos que estão desiludidos com os sindicatos existentes. Mas nós estamos a começar agora e por isso reclamamos o direito ao benefício da dúvida.

Não vou aqui falar das nossas propostas, deixando isso para consulta no nosso site. Mas temos estado atentos às propostas e comentários dos enfermeiros nas redes sociais. Podemos acrescentar que lemos atentamente as propostas da Ordem dos Enfermeiros e encontrámos muitos pontos de convergência.

É preciso que as coisas mudem, O SINDEPOR pretende ser o protagonista desta mudança de paradigma. Com humildade, mas determinação é preciso agir.

Para finalizar, quero aqui deixar um desafio a todos os Enfermeiros. Juntem-se a nós porque

“Mudar, é preciso”.

O Presidente da Direção do SINDEPOR

Carlos Ramalho